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domingo, 28 de janeiro de 2018

4 - O INVOCAR



4 - O INVOCAR



"...daí se começou a INVOCAR O NOME DO SENHOR"
Invocar o nome do Senhor não é algo recente. Os homens dos tempos mais antigos já tinham essa prática. De Génesis até Apocalipse acompanharemos, segundo a sequência bíblica, a história de invocar o nome do Senhor e saberemos porque e quando o homem começou a invocar o Senhor.

Para muitos, invocar o nome do Senhor é algo inédito. Mas logo no começo, ainda na época de Adão, as pessoas já invocavam. Portanto, invocar o nome do Senhor não é uma nova invenção ou uma ordenança especial da igreja, antes é uma prática essencial de todos os filhos de Deus, desde a antiguidade. Por toda a Bíblia, do Antigo ao Novo Testamento, fala-se e ensina-se sobre essa prática, que foi totalmente restaurada pela vida da igreja adequada na segunda metade do século 20.



POR QUE INVOCAR?

Por que a humanidade começou a invocar o nome do Senhor? Para obtermos a resposta precisamos conhecer um pouco da história relatada na Bíblia.

O capítulo 2 de Génesis nos relata que Deus fez o homem e colocou-o no Jardim do Éden. Deus disse-lhe que poderia comer livremente de toda árvore do jardim, exceto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Mas no capítulo 3, Adão e Eva pecaram por desobedecer a Deus comendo da árvore proibida. Seus olhos foram abertos e, percebendo que estavam nus, fizeram para si vestimentas de folhas de figueira. Quando Deus lhes apareceu, ambos se esconderam envergonhados por estarem nus. Quando Adão viu que estava nu, percebeu que precisava cobrir-se; por isso fez vestimentas de folhas de figueira para si e sua mulher. Na Bíblia as vestes estão relacionadas com a justiça (Ap 19:8). Isso mostra que ao perceber que era um pecador ele se cobriu com sua própria justiça. Mas passados dois ou três dias aquelas folhas secariam e ele novamente estaria nu. Portanto, aprendemos que a justificação própria não consegue cobrir nossa real condição.

Sabendo disso, que fazer? Deus, então, cobriu Adão e sua mulher com peles de animal. Para se obter essa pele foi necessário que um animal fosse imolado e que seu sangue fosse derramado. Isso foi uma prefiguração de Jesus Cristo. Cristo, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, foi imolado desde a fundação do mundo (Jo 1:19; Ap 13:8). O Senhor Jesus morreu em lugar do homem, derramando Seu sangue precioso pelo pecado do homem,tornando-se, dessa maneira, a justiça do homem. Se assim não fosse, o pecado de Adão e Eva não poderia ter sido solucionado. Graças a Deus, pois temos Cristo como nossa justiça - Nele o homem é justificado e perdoado.

Pelo fato de Adão ter dado ouvidos à sua mulher e não ao Senhor, Deus lhe disse que a terra seria maldita e produziria cardos e abrolhos; que ele comeria da erva do campo, e que em fadiga e com o suor do rosto obteria o sustento durante toda a sua vida.

No primeiro e segundo versículo do capítulo 4, lemos: “Coabitou o homem com Eva, sua mulher; e ela deu à luz a Caim... depois deu à luz a Abel, seu irmão. Abel foi pastor de ovelhas, e Caim, lavrador”. Ambos serviram ao Senhor, e ambos apresentaram-lhe ofertas; mas havia uma diferença entre as duas ofertas. Que diferença era essa? E importante observar aqui, que naquela época era permitido ao homem comer somente da erva do campo e do fruto das árvores. No entanto, Abel criava ovelhas. Por quê?

Provavelmente Adão contou a seus filhos tudo o que ocorrera. Abel deve ter ficado impressionado com o relato de seu pai a respeito do animal que fora morto para dar-lhes uma veste, o que solucionou o problema do pecado e justificou o homem. Por isso ele criava ovelhas para ofertar no altar as primícias do seu rebanho, e a gordura desse sacrifício subia como aroma agradável a Deus; e Deus se agradou de Abel e sua oferta.

E quanto a Caim? É provável que ele tenha guardado a palavra dita por Deus a Adão: que o homem labutaria na terra com fadiga e suor para obter o pão. Por isso ele era um lavrador. Como lemos em Génesis 4, ele também ofertou a Deus, mas a sua oferta, que era o fruto de seu trabalho na terra, não agradou a Deus. Por quê? Porque Caim serviu a Deus à sua própria maneira. Vemos aqui um princípio importante: Deus não se agrada de que O sirvamos à nossa própria maneira. Todos devemos servi-Lo à Sua maneira. Deus quer que obedeçamos à Sua palavra — o que Ele diz devemos praticar. Não importa se alguém nos mostra que algo é de um jeito, devemos atentar e obedecer à Palavra de Deus.

Caim irou-se muito pelo fato de Deus não ter aceitado sua oferta. Ele odiou seu irmão e matou-o. Deus então puniu-o, expulsando-o de Sua presença. Longe da presença de Deus, Caim perdeu a segurança, a alegria e a paz. Contudo, diferentemente de Adão, ele continuou vivendo sem Deus.

O homem necessita alimentar-se, alegrar-se e ter paz, e tais necessidades somente Deus pode suprir. Porém Caim e sua descendência obtiveram todas essas coisas por si mesmos. Tinham seu próprio alimento, tocavam e cantavam para a própria satisfação e protegiam-se com armas. Eles inventaram sua própria cultura. Tudo isso porque não tinham mais a Deus.

Um dos descendentes de Caim foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado (Gn 4:20 — Jabal), o outro foi o pai dos que tocam harpa e flauta (v. 21 -Jubal) e o outro foi artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro (v. 22 - Tubalcaim).



DEUS FOI SUBSTITUÍDO

A descendência de Caim cantava e tocava para satisfazer à necessidade interior deles. Mas no cântico que Maria entoa, no Evangelho de Lucas, lemos: “A minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador”. Por que Maria cantou dessa maneira? Porque Deus era a sua alegria. Sua alegria não vinha pelo cantar ou tocar, mas de Deus. Também nós, se não tivermos Deus, buscaremos alegria em outras coisas para substituí-Lo. E o resultado disso será o pecado.

Antes do versículo 25 de Génesis 4 a situação era a seguinte: Abel estava morto e Caim estava afastado da presença de Deus. Entretanto, o versículo 25 nos diz: “Tornou Adão a coabitar com sua mulher; e ela deu à luz a um filho, a quem pôs o nome de Sete”, cujo nome significa “substituição”, ou seja, Sete substituiu Abel, dando assim continuação a descendência de Adão, os que continuavam a depender de Deus.



QUANDO SE COMEÇOU A INVOCAR O NOME DO SENHOR?

No versículo 26 lemos: “A Sete nasceu-lhe também um filho, ao qual pôs o nome de Enos: daí se começou a invocar o nome do Senhor.”

Por que Sete pôs em seu filho o nome de Enos e invocou o nome do Senhor? Enos significa “aquele que é frágil”. Isso indica que também Sete ouviu a história de Adão, seu Pai. Ele sabia que pelo fato de seu pai e mãe terem pecado ao desobedecer a Deus, o pecado e a morte entrou neles. Por isso, Deus não mais permitiu que eles tivessem acesso à árvore da vida, que representava a própria vida de Deus. Ele soube que seus pais perceberam que já não poderiam viver por eles mesmos, que eram frágeis. Então eles invocaram o nome do Senhor. E quando Enos nasceu, Sete percebeu a fragilidade do homem, e, então, também ele invocou o nome do Senhor. Foi a partir dessa época, que a humanidade, incluindo Adão, começou a invocar o nome do Senhor.

O homem sempre se considera forte, mas no Novo Testamento vemos um homem de nome Paulo que declarou: “De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas... porque quando sou fraco, então é que sou forte” (2 Co 12:9, 10). Quando o homem se sente fraco, sem alternativas, sem ideias, ele espontaneamente invoca o nome do Senhor: “Ó Senhor Jesus, sem Ti não posso viver. Sem Ti não tenho alegria, sem Ti não tenho paz. Ó Senhor, eu preciso de Ti! Tu és o meu viver, a minha vida. Fora de ti nada posso fazer”. Isso é o que significa invocar o nome do Senhor.


OUTROS EXEMPLOS NO ANTIGO TESTAMENTO

Muitos outros santos também invocaram o nome do Senhor. Dentre esses encontramos Noé. Assim que saiu da arca, ele levantou um altar ao Senhor (Gn 8:19-2Ia). Esse altar era para quê e para quem? Era para oferecer sacrifícios ao Senhor. E ao oferecê-los, Noé invocava o nome do Senhor.

Mas em Génesis 11, entre Abraão e Noé, encontramos um período em que o nome do Senhor foi totalmente abandonado.

Por que os homens abandonaram o nome do Senhor? A humanidade passou por quatro grandes quedas. A primeira grande queda foi com Adão quando ele comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal, a qual simboliza Satanás. Assim, o pecado entrou no homem e com o pecado veio a morte. (Rm 5:12). Sem pecado não haveria morte. Porém, Deus imolou um animal, derramou seu sangue e cobriu o homem com sua pele, indicando que Cristo, o Cordeiro de Deus, foi morto para o perdão de nossos pecados e nos justificar.

A segunda grande queda ocorreu quando Caim quis servir a Deus à sua própria maneira. A terceira queda foi quando os filhos de Deus, que são anjos, (verjó 1:6 — aqui certamente se refere aos anjos caídos que seguiram Satanás na sua rebelião), tomaram para si as filhas dos homens (Gn 6:1-4), resultando dessa ligação os gigantes, também conhecidos como nefilins.

Por fim vemos a quarta grande queda. Em Génesis 11:1-4 lemos: “Ora em toda a terra havia apenas uma linguagem e uma só maneira de falar. Sucedeu que, partindo eles do oriente, deram com uma planície na terra de Sinear; e habitaram ali. E disseram uns aos outros: Vinde, façamos tijolos, e queimemo-los bem. Os tijolos serviram-lhes de pedra, e o betume, de argamassa. Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade, e uma torre cujo tope chegue até aos céus, e tornemos célebre o nosso nome”. Após o dilúvio as pessoas tornaram a multiplicar-se. Dentre elas havia um homem chamado Ninrode (10:8-12). Talvez, pelo fato de ser poderoso na terra, ele não mais quisesse que os homens invocassem o nome do Senhor e, sim, que exaltassem o nome do homem. Em Génesis 11:4 diz-se: “tornemos célebre o nosso nome”. Portanto nessa quarta grande queda eles rejeitaram o nome do Senhor e exaltaram o nome do homem. Deus aborreceu-se muitíssimo com isso, e, como nas quedas anteriores, Ele também julgou essa situação: confundiu-lhes a linguagem, o que os obrigou a se espalharem pela terra. A partir daí os homens deixaram de invocar o nome do Senhor e a unidade entre eles foi rompida.

Os Patriarcas Invocavam

Deus, então, abandonou a raça adâmica e chamou Abraão, que saiu de uma terra de adoradores de ídolos e foi para Canaã. Ao chegar ali, armou uma tenda, levantou um altar e invocou o nome do Senhor (12:7, 8). Assim, a partir de Abraão, o nome do Senhor foi novamente invocado. O invocar foi restaurado. Onde quer que Abraão chegasse ele armava uma tenda, fazia um altar e invocava o nome do Senhor.

O mesmo fez Isaque (26:25), Jacó e muitos outros santos do Antigo Testamento. Génesis 28:18, 19 diz-nos que Jacó tomou uma pedra, erigiu-a como coluna e sobre ela entornou azeite; e chamou àquele lugar Betei. Depois de vinte anos, quando retornava da casa de seu tio, estando já amadurecido,

confundiu-lhes a linguagem, o que os obrigou a se espalharem pela terra. A partir daí os homens deixaram de invocar o nome do Senhor e a unidade entre eles foi rompida, ele passou pelo mesmo lugar, edificou ali um altar e invocou o nome do Senhor (35:6, 7, 14).

Há várias citações no Antigo Testamento com respeito a invocar o nome do Senhor. O livro de Salmos e os livros proféticos indicam claramente o quanto se invocava o nome do Senhor.

Invocar para Ser Salvo

No livro de Joel há uma referência muito especial sobre invocar o nome do Senhor: “E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos velhos sonharão, e vossos jovens terão visões... naqueles dias... E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Jl 2:28, 29, 32ª). Aqui é-nos dito que poderemos ter visões, profetizar, curar. Porém, para ser salvo, a única maneira é invocar o nome do Senhor. Não devemos pensar que seremos salvos por fazer muitas coisas para Deus. Não. Deus não deseja que façamos nada para sermos salvos. Tudo o que precisamos fazer é invocar o Seu nome e confessar os nosso pecados; assim seremos salvos.

INVOCAR NO NOVO TESTAMENTO

Quando chegamos ao Novo Testamento observamos que invocar o nome do Senhor é uma prática dos seguidores de Cristo. Entre os que invocam encontramos:

Os Santos no Pentecostes

No capítulo 2 de Atos lemos sobre a gloriosa experiência de Pentecostes. O Espírito Santo desceu sobre os que “estavam reunidos no mesmo lugar... E apareceram, distribuídas entre eles, línguas como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles” (vs. 1-3). Nesse momento cada um dos que estavam ali começou a falar. A partir de então todos invocavam o nome do Senhor. Pedro passou a pregar o evangelho às pessoas que tinham vindo ver o que ocorrera, que tiveram medo e lhe perguntaram o que deveriam fazer. Pedro citou-lhes o profetaJoel: “e acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.” Todos creram e invocaram o nome do Senhor. Naquele dia, cerca de três mil pessoas creram, invocando o nome do Senhor; e em Atos 4, vemos quase cinco mil pessoas crendo e invocando esse nome.

Estêvão

Em Atos 7:59 vemos que Estêvão, um santo da igreja em Jerusalém, também invocava: “E apedrejavam a Estêvão que invocava e dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito!”

Saulo e os Crentes

Saulo de Tarso era um perseguidor dos cristãos, antes de ter seu nome mudado para Paulo. Ele tinha autorização dos principais dos sacerdotes para prender aqueles que invocavam o nome do Senhor (At 9:2, 14). Mais tarde, ao ser salvo, o próprio Paulo foi batizado, invocando o nome do Senhor (22:16).

As Igrejas

Na primeira Epístola aos Coríntios l :2 lemos: “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso.” Paulo escreveu não só aos coríntios, mas a todos aqueles que invocavam o nome do Senhor. Isso indica que na era dos apóstolos todas as igrejas invocavam Seu nome.

No capítulo 12, Paulo disse aos coríntios que antes de se converterem ao Senhor, eles estavam acostumados a adorar ídolos mudos (v. 2), mas agora deveriam aprender a falar porque o Deus que estava neles é um Deus que fala. Mostrou-lhes que o requisito para ser espiritual não é ter eloquência para pregar o

evangelho ou liberar mensagens, mas é que ao invocar o nome do Senhor isso é feito pelo Espírito Santo (v. 3) e isso faz com que alguém seja espiritual, alguém que vive e anda pelo Espírito. Seja você quem for, não importa seu grau de instrução, se invocar o nome do Senhor, você será levado para a esfera espiritual e será uma pessoa verdadeiramente espiritual.



QUEM CRÊ, INVOCA

Algumas pessoas questionam o invocar o nome do Senhor. Tais pessoas dizem que nem sempre o Senhor reconhece o invocar de um irmão. Isso dizem baseados em Mateus 7:22, 23: “Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demónios? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci”. Para esclarecer essa questão, leiamos Romanos 10:9-13: “Se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para a justiça, e com a boca se confessa a respeito da salvação. Porquanto a escritura diz: Todo aquele que crê não será confundido. Pois não há distinção entre judeu e grego, uma vez que o mesmo é o Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam. Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor, será salvo.” Uma vez que você creia com o coração e confesse com a boca o nome do Senhor Jesus, então será salvo. Se uma pessoa não crê no coração, ela não confessa que Jesus é o Senhor. Portanto, quem não crê, só consegue falar “Senhor, Senhor”, e isso Deus não reconhecerá.

Em 2 Timóteo 2:19 é-nos dito que o Senhor conhece os que Lhe pertencem. Por quê? Porque os que pertencem ao Senhor são pessoas que por meio de invocar o Seu nome, apartam-se da iniquidade, tornando-se vasos de honra. Quando seguimos a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor (v. 22), somos santificados e tomamo-nos vasos para honra.



As Igrejas de Apocalipse

No livro de Apocalipse, capítulos 2 e 3, encontramos sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia.

A igreja em Éfeso, representando a igreja do segundo século, invocava o nome do Senhor. A igreja em Esmirna, representante do segundo, terceiro e quarto século, também tinha essa prática. Ela foi perseguida e muitos santos foram martirizados.

A terceira igreja é Pérgamo. A princípio, a estratégia de Satanás era martirizar os cristãos. Porém, quanto mais os cristãos eram mortos, mais eles se multiplicavam. Satanás percebeu, então, que este não era o caminho mais estratégico; por isso mudou de tática, instigando o imperador Constantino a exaltar o cristianismo unindo-se a ele, o que resultou no casamento da igreja com o mundo (313 d.C). Em Apocalipse 2:13 lemos; “E que conservas o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha testemunha, meu fiel, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita.” Ainda em Pérgamo, até a morte de Antipas, as pessoas invocavam o nome do Senhor. Mas a partir dessa época ninguém mais teve essa prática.

A quarta igreja, Tiatira, é a representante do século quinto ao vinte. Ela foi dominada por um sistema idólatra, e por isso foi comparada ajezabel. Deus a repreendeu.

A quinta igreja foi Sardes, cujo significado é “restauração”. Contudo ela só tinha o nome, mas não a realidade da restauração (3:1). Ela não restaurou o invocar o nome do Senhor e a humanidade deixou de invocar o nome do Senhor por mais de quinze séculos.

Surgiu então a sexta igreja - Filadélfia. No versículo 8 lemos: “Conheço as tuas obras... tens pouca f orça, entretanto guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome.” Finalmente em

Filadélfia tanto a palavra como o invocar o nome do Senhor foram totalmente restaurados. Para essa igreja o Senhor não tem palavras de repreensão, somente de louvor.

Hoje estamos vivendo na época de Filadélfia, por isso invocamos o nome do Senhor e guardamos a Sua Palavra (3:8). Se formos perseguidos porque O invocamos, não devemos temer, pois o Senhor deseja que O invoquemos. Não precisamos elaborar métodos, simplesmente invocamos: “Senhor Jesus, Tu és amável. Eu preciso de Ti. Não consigo viver, nem me alegrar ou defender-me sem Ti. Ó Senhor, necessito de Ti. Tu és a minha vida. O Senhor Jesus!” Se por algum motivo não podemos invocar em voz alta, devemos fazê-lo em nosso interior. Em tudo o que fizermos e em todo lugar podemos invocar o nome do Senhor.

Alguns não concordam com isso e dizem que podem fazer tudo por si mesmos. São os da descendência de Caim, que não necessitam de Deus para viver, alegrar-se ou ter paz. Mas, e quanto a nós? Será que não necessitamos de Deus? Somos frágeis mortais e sempre necessitamos de Deus. Somos dependentes de Deus; por isso invocamos o Seu nome. Esta é a situação normal do ser humano.

Por que o homem parou de invocar o nome do Senhor? Pela perturbação causada por Satanás. Ele tenta impedir-nos de invocar o nome do Senhor. Quando o homem se acha capaz de fazer tudo por si mesmo, começa a exaltar o seu próprio nome. Mas agora no caminho da restauração da igreja, em Filadélfia, toda a palavra está sendo restaurada. Portanto, a questão de invocar o nome do Senhor precisa ser ampla e totalmente restauradapor todos nós. Agradecemos ao Senhor porque em nossos dias essa prática foi restaurada. Que sejamos conhecidos como aqueles que invocam o nome do Senhor Jesus, exaltando dessa forma o Seu nome e ajudando os outros a invocá-Lo.



IDENTIFICADOS PELO INVOCAR
Saulo era um jovem fariseu e um forte perseguidor dos cristãos. Após a morte de Estêvão, iniciou-se grande perseguição contra a igreja em Jerusalém. "Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere" (Atos 8:3). Se os irmãos não se reuniam em um lugar especial que indicasse haver ali reuniões cristãs, nem usavam roupas que os identificassem, se não havia ainda Bíblias nem hinários, como, então, Saulo os identificava? O mais provável é que o fazia porque eles invocavam o nome do Senhor (Atos 9:13-14, 21). Ao ouvi-los invocar, Saulo os prendia.

Por causa da perseguição, todos os cristãos, exceto os apóstolos, foram dispersos dejerusalém para as regiões da judéia e Samaria. Não havendo mais a quem prender emjerusalém, Saulo, então, dirigiu-se ao sumo sacerdote e pediu-lhe cartas de permissão para ir a outras cidades prender os discípulos do Senhor, ou seja, aqueles que invocavam Seu nome.

Porém, "seguindo ele estrada fora, ao aproximar-se de Damasco, subitamente uma luz do céu brilhou ao seu redor, e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues? Ele perguntou: Quem és tu, Senhor? E a resposta foi: Eu sou Jesus, a quem tu persegues" (Atos 9:3-5). Após esse episódio houve uma profunda transformação na vida de Saulo. A intensa luz o deixou cego por três dias e durante esse tempo ele, certamente diante dos fatos ocorridos naqueles últimos dias, pesou cada acontecimento de sua vida de perseguidor. Ao lembrar-se do que pretendera fazer em Damasco, da voz que falara com ele na estrada e, sobretudo,

— o que o deixou atónito — do fato de Jesus ter-se identificado com aqueles a quem ele perseguia, Saulo teve certeza de que sua vida mudaria radicalmente dali por diante. De fato, após recuperar a visão por meio de Ananias, Saulo foi por ele batízado. Anteriormente, Paulo nome pelo qual começa a ser chamado em Atos (Atos 13:9) — perseguia e prendia os que invocavam o nome do Senhor; agora, porém, ele se tornara também um "invocador" do nome de Jesus. Por isso, ao sair para pregar o evangelho e levantar igrejas, Paulo ensinava as pessoas a invocar o nome do Senhor. Por causa de sua experiência de salvação, ele percebia quão importante é que a igreja invoque o nome do Senhor.

A edificação pelo invocar

No Antigo Testamento, Jacó, quando partiu de Berseba para Harã, "tendo chegado a certo lugar, ali passou a noite, pois já era sol posto; tomou uma das pedras do lugar, fê-la seu travesseiro e se deitou ali mesmo para dormir" (Génesis 28:11). Naquele lugar, em sonho, Deus lhe deu uma visão. Então, ao despertar, Jacó tomou a pedra que havia posto por travesseiro, erigiu-a em coluna e entornou azeite sobre ela (v. 18). Isso tipifica a edificação da igreja. O azeite derramado por Jacó tipifica o derramamento do Espírito Santo sobre os cristãos. Portanto, para que haja edificação da igreja, é necessário o derramar do Espírito.

A igreja é constituída de pessoas que creram no Senhor e invocaram Seu nome. Em l Coríntios 12:3 Paulo diz que ninguém pode dizer "Senhor Jesus", senão pelo Espírito Santo. Assim, sempre que os membros do Corpo de Cristo, a igreja, invocam o nome do Senhor com fé, voltando a Ele o coração, eles estão no espírito, no qual o Espírito de Deus habita.

Em l Coríntios 12:1 Paulo diz que não queria que a igreja em Corinto fosse ignorante quanto ao ser espiritual (lit.). Como os coríntios poderiam estar no espírito? será que o fato de se reunirem e terem comunhão garantiria que eles estavam no espírito? ou o serviço aos demais irmãos? ou a participação em muitas atívidades da igreja? Não, nada disso, por si só, garante que estejamos no espírito. Tudo isso pode ser feito por meio de nossa vida natural, de acordo com o velho homem, sem nenhuma comunhão com Deus.

Somente somos a igreja, em essência e vida, se estivermos no espírito. Paulo, então, indica que a melhor forma para isso é invocar o nome do Senhor. "Por isso, vos faço compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema, Jesus! Por outro lado, ninguém pode dizer Senhor Jesus!, senão pelo Espírito Santo" (l Coríntios 12:3). Antes de recebermos Cristo como nosso Senhor e Salvador, éramos incapazes de falar de Deus e em Seu nome, pois éramos adoradores de ídolos mudos. Mas, agora, adoramos ao Deus vivo, que é a própria Palavra. "No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus (João 1:1- NVI). E a Palavra se fez carne e habitou entre nós, cheia

de graça e de verdade" (v. 14). Hoje cremos no Deus encarnado, que é Cristo, que é a Palavra; por isso, podemos declarar que Jesus é o Senhor, que Ele é nosso Senhor.

Paulo frequentemente menciona o nome do Senhor, pois ele tinha clara percepção da necessidade de todos os irmãos estarem sempre no espírito. A igreja não é uma organização, mas é uma entidade orgânica, cheia da vida divina. Por isso, ela deve estar cheia do Espírito que dá vida. Em Romanos 10:13 Paulo diz: "Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo". Quando experimentamos verdadeiramente o invocar, tornamo-nos fervorosos e ousados em proclamar em todos os lugares que Jesus é o Senhor. Assim, sempre que dizemos: "Ó Senhor Jesus", somos cheios de alegria e gozo, pois tocamos em uma Pessoa viva, que nos satisfaz e vivifica. Não importando quem tenhamos sido no passado — vis pecadores ou éticos religiosos -, quando começamos a invocar o nome do Senhor com fé, com realidade, voltando nosso coração para Ele, há uma mudança em nosso viver! Experimentamos Romanos 10:13: somos salvos por invocar o nome do Senhor!

O dispensar do Espírito

Em Atos 2:1-13 vemos que, no dia de Pentecostes, os discípulos, cerca de cento e vinte pessoas, estavam reunidos em um mesmo lugar em Jerusalém: "De repente, veio do céu um som, como de um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram, distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem" (vs. 2-4). O Espírito Santo foi derramado exteriormente sobre eles, e começaram a falar em outras línguas. Eles passaram a falar em línguas genuínas, línguas que eram compreendidas por pessoas vindas de outras nações. Esses estrangeiros, ao ouvirem aquelas pess falando em sua língua nativa, ficar maravilhados. Então Pedro se levantou e di "O que ocorre é o que foi dito por intermé do profeta Joel: E acontecerá nos últimos c diz o Senhor, que derramarei do meu Esp sobre toda a carne; vossos filhos e vossas fi profetizarão, vossos jovens terão visõe sonharão vossos velhos" (vs. 16-17). Isso sinal dos últimos dias, quando o Espírito S se derrama para manifestar Seu poder por i do homem. Porém, de acordo com as pró palavras de Pedro, essa forma de manifesi do Espírito não tem relação com a salv pois a salvação vem por invocar o non Senhor. Ter sonhos, visões ou profetiza: garantem nossa salvação. A salvação é ai; Espírito, porém não em Seu aspecto exl de manifestação de poder, mas o Espíri aspecto interior, dispensando vida ao ho Somente quando cremos e invocamos o do Senhor é que somos salvos.

O invocar não é somente para recebermos Cristo em nosso espírito, para sermos regenerados. Não devemos pensar que após sermos salvos já não há necessidade de invocar. Se pensarmos assim, ainda não tivemos a revelação adequada da Palavra. Invocar o nome do Senhor deve tornar-se um hábito, pois a cada momento necessitamos ser salvos de nós mesmos, de nossa natureza caída. Por isso, cada dia e a todo tempo necessitamos invocar o nome do Senhor.

Salvos pelo invocar

Em 2 Coríntios 1:3-11, Paulo dá ações de graça pelo conforto divino em todas as tribulações por que passava. Nos versículos 9 e 10 ele diz: "Contudo, já em nós mesmos, tivemos a sentença de morte, para que não confiemos em nós, e sim no Deus que ressuscita os mortos; o qual nos livrou e livrará de tão grande morte; em quem temos esperado que ainda continuará a livrar-nos". Paulo passou por situações tão difíceis a ponto de se desesperar da própria vida; contudo, ele cria que, da mesma forma que Deus o livrara daquela situação, Ele o continuaria livrando.

O uso dos tempos verbais no versículo 10 possibilita-nos fazer uma ilustração muito prática a respeito dos estágios de nossa salvação. A salvação de Deus tem três estágios. O primeiro é o da regeneração, o segundo é o da transformação, ou salvação da alma, e o terceiro é o da redenção do corpo. É sobre o segundo estágio que trataremos mais detalhadamente neste livrete.

Uma vez salvos, somos salvos para sempre. Quando invocamos o nome do Senhor, Seu Espírito entrou em nosso espírito e fomos feitos filhos de Deus. Mesmo que venhamos a pecar, não perderemos a salvação, a vida de Deus permanecerá em nosso espírito e continuaremos sendo Seus filhos. Vejamos esse exemplo: mesmo que seu filho faça algo errado e venha a ser preso por isso, ele jamais deixará de ser seu filho, pois recebeu sua vida. O exame de DNA comprova a paternidade de uma pessoa, indicando quem é o pai, não importando em que situação a pessoa esteja. De modo semelhante, quando invocamos o nome do Senhor, crendo com o coração, fomos regenerados pelo Espírito, o qual passou a habitar em nosso espírito, fazendo-nos eternamente filhos de Deus.

Entretanto, ainda há um problema a resolver: depois de sermos salvos, muitas vezes ainda voltamos a pecar. Isso indica que a vida divina que recebemos não amadureceu o suficiente e, por isso, voltamos a viver por nossa vida pecaminosa e caída, a qual está em nossos membros (Romanos 7:23). Por que, então, pecamos? Porque nossa alma ainda não foi suficientemente permeada com a vida divina, ou, em outras palavras, ela não foi plenamente salva.

Muitos cristãos acomodam-se com o fato de terem a vida de Deus em seu interior, o que lhes garante a salvação eterna, e não buscam o crescimento da vida de Deus neles. Pessoas assim tornam-se um problema para a igreja, pois são infantis, crianças espirituais. Não podemos permanecer nessa situação. A vida de Deus precisa expandir-se em nosso ser. Da mesma forma que recebemos a vida humana de nossos pais e ela se desenvolve, porque nos alimentamos todos os dias, ao recebermos a vida de Deus devemos alimentar-nos da Palavra para que a vida divina se desenvolva em nosso interior.

Ao invocar o nome do Senhor, certament< somos salvos por receber a vida divina. Ma precisamos permitir que essa vida cresça até qu cheguemos à maturidade. Fomos salvo eternamente no momento da regeneração, ma precisamos também ser salvos hoje, dia a di; sendo transformados em nossa alma. Pelo invocí o nome do Senhor, o Espírito de Deus mescloi se com o nosso espírito e deu-nos a salvação. Es: é apenas o início do processo da salvação, a qu precisa prosseguir. E preciso que o Espírito expanda de nosso espírito para nossa alma, a fi de permeá-la e salvá-la. Quando cremos i Senhor, o Espírito de Deus entrou em nos espírito, fomos salvos, nossos pecados fon

perdoados e fomos justificados. Para isso, bastou-nos crer, e pela fé tudo foi feito. Na segunda vinda de Cristo, ocorrerá o último estágio da salvação, que é a redenção do nosso corpo. Atualmente nos encontramos no segundo estágio, que corresponde à salvação da alma. Nesse estágio, o processo é lento, pois depende da nossa disposição em negar a vida da alma, deixando que a vida de Deus nos governe. Quando fomos salvos, passamos a fazer parte do Corpo de Cristo, a igreja, e é nesse lugar que nos alimentamos da Palavra para a salvação da alma.

"Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Rm 10:13). Nossa maior necessidade é ser salvos da vida da alma, e isso só é possível quando vivemos no espírito, em viva comunhão com o Senhor. Foi Pedro quem falou sobre o invocar pela primeira vez, quando, no dia de Pentecostes, os discípulos de Cristo começaram a falar em línguas e as pessoas ficaram admiradas. Então, Pedro citou a essas pessoas a palavra do profeta Joel. Cremos que o próprio Pedro havia

experimentado o invocar naqueles dias que antecederam o derramamento do Espírito. E depois disso certamente ele teve experiências de negar a si mesmo por meio do invocar, a fim de que a vida divina nele crescesse.

Negar a si mesmo e seguir ao Senhor
Uma vez que o mistério de Deus é Cristo (Colossenses 2:2), somente Deus poderia revelá-lo; e sendo a igreja o mistério de Cristo (Efésios 3:4; 5:32), somente Cristo poderia revelá-la. Assim, a primeira vez que ouvimos falar sobre a igreja é em Mateus 16: "Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra

terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus" (Mateus 16:16-19). Esse é um dos mais importantes capítulos da Bíblia, porque nele é desvendado que o mistério de Deus é Cristo, tendo sido revelado pelo próprio Deus, e que o mistério de Cristo é a igreja, o que foi revelado pelo próprio Cristo.

Para que a igreja fosse gerada, era necessário que o Senhor Jesus fosse crucificado, morresse e ressuscitasse. Mas Pedro, usado por Satanás, repreendeu o Senhor, dizendo-Lhe que tivesse compaixão de Si mesmo e não permitisse que tal coisa acontecesse. Aos olhos dos homens, Pedro estava correio, pois amava seu Mestre e não queria vê-Lo sofrer nas mãos dos principais sacerdotes. "MasJesus, voltando-se, disse a Pedro: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens" (v. 23). O Senhor Jesus sabia que aquela sugestão provinha de Satanás, pois se Ele, Jesus, não fosse à cruz, a igreja não seria gerada, e é pela igreja que Satanás é derrotado.

"Então, disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me" (v. 24). Qual a maneira de seguir ao Senhor? Vivendo a vida da igreja e ouvindo Sua Palavra. Quando fazemos isso, espontaneamente negamos a nós mesmos, a nossos interesses, opiniões, desejos, gostos e pensamentos e tomamos nossa cruz. E para segui-Lo precisamos viver no espírito, exercitando-o pelo invocar o nome do Senhor. Precisamos aprender a, em tudo, depender do Senhor, em tudo invocar Seu nome buscando comunhão, consultando-O sempre e permitindo-Lhe tudo decidir por nós. A todo o momento precisamos invocar Seu nome, pois somente assim nossa alma será salva.

No versículo 25 o Senhor Jesus disse que quem quiser salvar sua vida perdê-la-á, e quem perder a vida por Sua causa achá-la-á. A vida a que o Senhor se refere é a vida da alma; ou seja, se estamos dando satisfação plena à nossa vida da alma, perderemos a salvação da alma e, no futuro, quando o Senhor voltar, não estaremos prontos para recebê-Lo nem para entrar no gozo do reino milenar. Por isso, necessitamos desesperadamente viver a vida da igreja, ter uma vida em constante comunhão com o Senhor, invocando Seu nome.

Ao dizer ao Senhor para ter compaixão de Si mesmo e não ir a Jerusalém sofrer nas mãos dos principais sacerdotes e escribas, Pedro manifestou a opinião e o pensamento de sua natureza caída, que expressa Satanás. Por isso o Senhor lhe disse: "Arreda, Satanás". Anteriormente Pedro falara pelo Espírito, quando respondeu ao Senhor que Ele é o Cristo, o Filho do Deus vivo. Quem revelou isso a Pedro foi Deus Pai, por ser Cristo o mistério de Deus. Tal revelação foi posta no espírito de Pedro. Porém, posteriormente, ele disse para o Senhor não ir à cruz, expressando a vontade de seu velho homem.

Quando Pedro falou pelo Espíritojesus disse-lhe que ele já não era Simão, mas Pedro, e que sobre aquela rocha — a revelação de que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus vivo - Ele edificaria a igreja. Contudo, em seguida, Pedro manifestou seu velho homem. Todos nós, cristãos, fomos salvos e recebemos a vida divina em nosso espírito, mas se não formos vigilantes, facilmente voltaremos a viver de acordo com a vida da alma. Assim, é imprescindível que neguemos a nós mesmos, que neguemos nossa natureza caída e sigamos ao Senhor. No versículo 24 o Senhor estava dizendo implicitamente a Pedro: "Não viva de acordo com a vida da alma; se viveres nela, não receberás a salvação completa de Deus, pois perderás a salvação da alma".

Seis dias após falar isso, o Senhor levou Pedro e os irmãos Tiago e João a um alto monte. Ali foi transfigurado diante deles, e Elias e Moisés apareceram para conversar com o Senhor. Então Pedro, novamente manifestando seu velho homem, sugeriu ao Senhor fazer três tendas, uma para Ele, outra para Elias e outra para Moisés, como que colocando todos os três no mesmo nível. Mas Deus disse: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi"

(Mateus 17:1-5). Seis dias antes o Senhor havia falado a Pedro que ele deveria negar a si mesmo, mas ele não fez isso e, uma vez mais, seu velho homem se manifestou. Essa é a experiência de todos nós: se não estivermos debaixo da graça do Senhor e de Sua misericórdia, estaremos constantemente resistindo ao reinar da vida do Senhor. Precisamos perceber que somente receberemos a salvação da alma se negarmos nossa vida da alma hoje.

No capítulo 26 de Mateus vemos Pedro manifestando a si mesmo outra vez. Quando o Senhor estava para ser crucificado, Ele advertiu os discípulos, dizendo que todos eles iriam se escandalizar com Ele e abandoná-Lo. Ao ouvir isso, Pedro Lhe disse: "Ainda que venhas a ser um tropeço para todos, nunca o serás para mim. Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que, nesta níesma noite, antes que o galo cante, tu me negaras três vezes. Disse-Lhe Pedro: Ainda que me seja necessário morrer contigo, de nenhum modo te negarei" (vs. 31-35). Pedro não aceitou a palavra do Senhor e disse que certamente ele não O negaria, mesmo que os outros o fizessem. Pedro realmente não conhecia a si mesmo e era cheio de autoconfiança.

Os soldados levaram Jesus para a casa do sumo sacerdote, e Pedro os seguiu de longe. Todavia, no pátio da casa, as criadas o reconheceram como discípulo de Jesus; ele negou e disse que não conhecia o Senhor. Ao negar pela terceira vez, o galo cantou. Então, voltando-se o Senhor, fixou os olhos em Pedro; e Pedro se lembrou da palavra do Senhor; e, saindo dali, chorou amargamente (Lucas 22:54-62). Por que Pedro chorou amargamente? Porque percebeu o quanto seu velho homem era vil e caído. Por ter a experiência de ir contra o Senhor muitas vezes, por causa de sua vida da alma, Pedro deu muita importância à questão da salvação da alma. Da mesma forma nós, cristãos, precisamos nos preocupar com a salvação da nossa alma, precisamos, a todo tempo, invocar o nome do Senhor.



Os escritos de Pedro

"Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros que sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação preparada para revelar-se no último tempo" (l Pedro 1:3-5). Que salvação é essa que se revelará somente no último tempo? Essa é a salvação do corpo. Então, hoje é o tempo para a salvação da alma e, quando for manifestado o último tempo, será manifestada a salvação completa. Para alcançar a salvação completa é necessário, primeiramente, passarmos pela salvação da alma.

No versículo 6 Pedro diz: "Embora, no presente, por breve tempo, se necessário, sejais contristados por várias provações". Essas são palavras positivas, e não negativas. Normalmente encaramos as provações como motivo de tristeza; quando chegam, murmuramos, dizendo que não as podemos suportar. Mas a Palavra diz que tais provações são por breve tempo, apenas o tempo necessário para alcançarmos a salvação de nossa alma. Por isso, ao sermos afligidos por diversas provações, lembremo-nos de que a aflição de hoje nos levará à salvação completa. A tristeza de hoje é leve e momentânea, em comparação com o peso de glória por vir.

"Para que, uma vez confirmado o valor da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo, redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo"   (v. 7). Por que redunda em louvor? Porque já passou por muitas provas, e cada prova por que passou é comparada à depuração do ouro. Para depurar o ouro é necessário colocá-lo dentro do crisol, que está sobre o fogo. E, à medida que o calor aumenta, o ouro se liquefaz e, por ser um metal pesado, ele decanta e as impurezas sobem. Assim, ao sair do crisol, restam poucas impurezas no ouro. As tribulações por que passamos sãc como o acrisolamento do nosso ser, para eliminai as impurezas em nós. Por isso, temos de perceber que essas provações são para o nosso bem, para levar-nos à salvação completa a revelar-se no último tempo.

Pedro disse que nossa fé é muito mais preciosa do que o ouro perecível, mesmo apurado por fogo. Em Apocalipse 21, na descrição da Nova Jerusalém, vemos que ela é feita de ouro, mas não do ouro comum que conhecemos. No versículo 18 lemos: "A estrutura da muralha é de jaspe; também a cidade é de ouro puro, semelhante a vidro límpido". Esse ouro é muito mais precioso que o ouro perecível. Por isso, não podemos recusar as diversas provações, pois se elas não vierem, não haverá como manifestar esse ouro muito mais precioso que o ouro comum. Então, que necessitamos para suportar tais provações? Invocar o nome do Senhor! Quanto mais provas, mais oportunidades para que o ouro mais precioso se manifeste. A segunda parte do versículo 7 de l Pedro diz: "Redunde em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo". Isso acontecerá na volta do Senhor, perante Seu tribunal. O julgamento de Deus começará por Sua casa, a igreja; assim, todos os cristãos terão de comparecer perante esse tribunal. Se aproveitarmos as várias provações para que a vida divina cresça em nosso interior, por meio de invocar o nome do Senhor a todo tempo, ao comparecermos perante o tribunal de Cristo, estaremos aprovados; e seremos não somente louvados, mas também receberemos glória, a glória do reino milenar, como co-reis juntamente com Cristo.

Cerca de vinte anos após a morte do Senhor, ou seja, após vinte anos de apostolado, Pedro ainda agia de acordo com sua vida da alma. Certa vez, quando estava na região da Galácia, Pedro comia com os gentios; quando, porém, chegaram alguns da parte de Tiago, afastou-se dos gentios, não procedendo corretamente segundo a verdade do evangelho (Gaiatas 2:11-13). Pedro era apóstolo para os judeus, porém, chegando entre os gaiatas, viu que havia muitos gentios ali. Então, juntou-se a eles e passou a comer com eles. Depois de algum tempo, quando alguns judeus chegaram de Jerusalém, Pedro abandonou os gentios e foi comer com os judeus. Nessa situação Paulo repreendeu a Pedro (v. 14), pois mesmo sendo apóstolo, Pedro ainda vivia de acordo com a vida da alma. O que Pedro necessitava para deixar de ter essa vida inconstante? Invocar o nome do Senhor, pois somente o invocar pode nos salvar do viver de acordo com a vida da alma.

Todos necessitamos invocar o nome do Senhor. A vida da igreja deve ser um viver de invocar tal nome. Devemos invocar esse nome em qualquer situação, principalmente ao ler a Bíblia, para que extraiamos dela Espírito e vida. Ao orar, também necessitamos invocar o nome do Senhor, pois, assim, oraremos de acordo com Sua vontade; do contrário, nossa oração se tornará

vazia. A melhor oração é o invocar o nome do Senhor, pois, quando invocamos, oramos sem cessar. Em qualquer oração que fizermos, em determinado momento cessarão as palavras e, conseqiientemente, a oração cessará. Então, como orar sem cessar, como Paulo recomenda em l Tessalonicenses 5:17? Invocando o nome do Senhor. Podemos passar o dia todo invocando esse nome. Em Romanos 8:26 vemos que a melhor oração é aquela que não sabemos o que dizer, não sabemos como orar. Então começamos a invocar e pedir ao Senhor: "Ó Senhor, não sei como orar, não sei sobre o que orar; não sei como louvar-Te nem como agradecer-Te. Só sei invocar Teu maravilhoso nome. O Senhor Jesus, quero estar em Tua presença". Então o Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis, e já não somos nós que oramos, mas o Espírito ora em nosso lugar. Cristo como incenso deve ser acrescentado à nossa oração, para que, assim, suba um aroma agradável a Deus quando orarmos.

Portanto, do início ao fím de nossa vida cristã, do início ao fim de nossa caminhada com o Senhor, devemos invocar Seu nome!




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